quinta-feira, 29 de julho de 2010

Bicicleta nova na manhã de Natal!

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O que mais se pode dizer sobre o amor? Aliás, quem sou eu pra falar de amor se nem Drummond ou Pessoa conseguiram traduzir em palavras esse troço que arrebata a alma? Tenha a santa paciência, eu não vou falar de amor. Eu vou falar de uma bicicleta nova na manhã de natal. É, bicicleta nova na manhã de natal.
Você já ganhou uma? Na manhã de natal, já ganhou? Nossa, é inigualável, é fantástico, é sensacional. Acordar de manhã e sair correndo do quarto pra ver se tem alguma coisa pra você e encontrar uma bicicleta nova, sem embrulho mesmo, é fenomenal. Você sente uma felicidade instantânea, uma euforia inexplicável, uma vontade de ficar com ela e só com ela.
Imediatamente você quer viver tudo o que a bicicleta nova tem pra te oferecer.
Você quer correr, saltar rampas, quer andar em uma roda, enfim, quer aproveitar a vida que a sua nova paixão pode te proporcionar. Mas, como tudo na vida, isso vai te custar alguma coisa. O mais provável é que, por conta de toda essa excitação, você tome logo um belo tombo. Isso pode te fortalecer por toda a vida ou pode te derrubar pra sempre. Quando você ganhou a bicicleta nada te garantia a ausência de tombos, derrapadas e coisas do tipo, mas com certeza alguém te disse: Vá com calma!
É que é difícil ir com calma quando se tem o que você sempre sonhou. Nossa, como é duro ter que controlar a emoção, ter que guardar para si todas as vontades e desejos, ter que contar somente com o coração para sonhar sozinho o futuro que vocês dois terão juntos. Que você quer que tenham juntos. Putz, é muito difícil. A verdade é que ninguém sabe ao certo o tamanho dessa calma.
Até quando devemos usar as rodinhas pra nos protegermos das quedas e assim dos machucados?
Até quando devemos andar somente nas calçadas, evitando a competição pelas pistas mais largas, porém mais excitantes? Até quando devemos usar as armaduras que nos impedem os movimentos soltos, porém nos deixam menos vulneráveis?
Amigo, eu acho que essas respostas nós nunca teremos. Pelo menos não nessa vida. Uma vez eu ouvi um treco que dizia mais ou menos assim: “A medida de andar de bicicleta é andar de bicicleta sem medida”. Acho que é isso. Vou andar de bicicleta, mesmo sem saber direito, mas vou tentar.
E, aliás, eu jamais me arriscaria a falar de amor, assim como falo de bicicletas novas na manhã de natal. Amor é uma coisa cheia de subidas e descidas. Cheia de feridas e arranhões. Cheia de perigos, os quais nem sempre se pode prever. Eu não falo de amor, tá decidido.


Diego Nolasco


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