terça-feira, 2 de março de 2010

Gosto salgado

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Parece brincadeira do destino, não sei se dou risada ou se faço o que o meu coração manda... chorar. Ontem quando eu estava no escolar indo para faculdade, com o olhar distante, não estava pensando em absolutamente nada, apenas curtindo o som da Alanis Morissette, olhei para o outro lado da pista e o que eu vejo? Um carro idêntico ao dele. Aquilo me deu nos nervos, a adrenalina no meu sangue foi tão grande, que parecia que eu estava saltando de pára-quedas. Fechei os olhos para segurar as lágrimas, calei a boca para não gritar e olhei para baixo, mas como disse, parece brincadeira do destino, ao olhar para baixo o que vejo? Um outro carro idêntico ao dele novamente, só que agora ultrapassando o escolar que eu estava e para completar Alanis começou a cantar “Head over feet” , sim, era a música que tocava toda vez que ele me ligava, era a música que veio no celular que ele me deu, era a música que tinha a letra mais perfeita, aquela que parecia ter sido escrita para a nossa historia de amor. Ai foi impossível conter, as lagrimas rolaram mesmo eu tentando de todas as formas impedir que elas saíssem dos meus olhos. Foi rápido, não quero que ninguém veja o quanto eu ainda sofro ao pensar no nome dele. Mais junto com as lágrimas, eu segurei a dor, junto com a dor eu segurei uma vontade absurda de mandar uma mensagem dizendo "hey, seu idiota, por que você fez isso com a gente?" ou “eu sinto tanto a falta de ouvir a sua voz...”, aah como doeu! Os minutos não passavam nunca, eu precisava de ar, precisava ver gente, precisava, acima de tudo, tira-lo dos meus pensamentos. Quando o escolar parou, enfim pude respirar ar livre e foi como se tivesse tirado toda aquela dor que me perturbava.
As aulas foram legais, os amigos são o máximo, os professores excelentes, a Universidade é enorme, cheio de gente bonita, não tive tempo de lembrar daquela cicatriz que ainda sangra. Mas como dizem, a felicidade é feita de momentos, momentos esses que são muito curtos para mim, e ao colocar a cabeça no travesseiro -ainda aquele travesseiro que ele me ajudou a comprar-, ele sentiu, por mais uma vez, o gosto salgado das minhas lágrimas...


By Ana Paula Ferraz
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